“Eles”

É-me sumamente nítido que nossas mentes estão sendo disputadas. O marketing institucional e as propagandas políticas que o digam. O que “eles” querem também sabemos, afinal o que deseja um homem com poder? Fácil resposta: mais poder. Nesse sórdido jogo, a peleja despótica gira em torno da condução da nossa atenção ou, em palavras mais duras, da nossa escravização. Nosso objetivo, a partir dessa reflexão, não poderia ser mais óbvio: liberdade.

A chave para desmascarar qualquer tirano está na identificação de sua principal ferramenta: a centralização de poder. Identifiquemos quais as ideologias e quais os personagens que advogam a centralização política e econômica do Estado. Alguém pensou nos sedutores discursos populistas? Pois é… o populismo reinará enquanto durar nossa ingenuidade. Pessoalmente, porto uma questão ainda mais intrigante: quem controla os controladores? Em outras palavras, qual seria a hierarquia da manipulação?

Colocados tais questionamentos, passemos ao panorama do despotismo brasileiro, onde a União Federal concentra 70% da arrecadação tributária e decide praticamente tudo, do macro ao micro; da legislação penal ou trabalhista até o interruptor elétrico de nossas casas; da cultura (lei Rouanet, subsídios etc.) até o seguro obrigatório dos nossos veículos e assim por diante. Em outras palavras, ainda que não houvesse corrupção alguma em nosso querido Brasil, mesmo assim, seríamos um país tirânico e ceifador do sagrado direito às nossas próprias escolhas.

E por falar em corrupção, lembrei-me da algazarra petista… Ou seria melhor recordar os demais abutres de outrora? Talvez eu devesse perguntar quem seriam os atuais controladores, ocultos e visíveis. Talvez eu devesse simplesmente abordar a síndrome do pequeno poder existente em muitos de nós. Poucos de nós adquirem noções de limites e, com triste frequência, praticamos intromissões na privacidade/propriedade alheia e nos sentimentos do próximo. Humoristas confundem o uso da liberdade de expressão com o abuso da mesma. Em outras palavras, escondem-se atrás do escudo do humor-deboche para a prática vilipendiosa do desamor. Censura? Longe disso, somos livres sim, mas nem tudo nos convém.

Tristemente, vemos que tal confusão não se restringe aos humoristas. Trata-se um mal implantado cultural e sistemicamente pelos manipuladores. Propositalmente, “eles” embaralham liberdade com libertinagem, inteligência com malandragem, caridade com obrigatoriedade, bondade com tributarismo etc. Tais controladores induzem adultos a agirem como birrentas crianças mimadas e criam uma pseudo generosidade que faz inúmeras cortesias, mas sempre com o chapéu alheio.

Não há como negar: a hipocrisia graça entre nós. Os revoltosos revolucionários adoram criticar o desamor ao próximo, mas não desembolsam seu patrimônio, não doam seu trabalho ou sequer algumas horas do seu tempo em prol do semelhante. Creditam-se de um altruísmo ideológico, mas chafurdam no egoísmo atitudinal. Na prática, estes demagogos adotam a carência ética do adágio “faça o que eu digo, não o que faço”. “Doe seu patrimônio, enquanto eu acumulo o meu”. Note, querido leitor, que considero a caridade uma das mais edificantes virtudes, mas só existe altruísmo num ambiente de liberdade. Fora disso, tem-se escravidão.

Darei um salto dos problemas locais para uma chaga mundial no campo do terrorismo e das guerras fraticidas. Assistimos um planeta conturbado, ameaçado por pensamentos, sentimentos e ações patológicas. Ainda no campo ético, vemos crianças sendo partidarizadas e aliciadas por espúrias doutrinações ideológicas, no estilo da clássica obra de George Orwell, A revolução dos bichos. Enquanto isso, descobrimos que dinheiro público fora destinado para nauseantes fundões eleitorais, lagostas para togados, juízos de garantias, enfim, mordomias, fisiologismos, corporativismos, privilégios “y otras cositas más”. Já foi pior com os Mensalões e os Petrolões da vida, mas ainda está muito aquém do razoável.

Infelizmente, isso não é tudo. Os que superaram as camadas evolutivas da sobrevivência nutricional e da integridade física, vegetam robotizados clamando por mais tirania, mais centralização de poder e mais “almoço grátis” …  Étienne de La Boétie nos delegou uma obra prima que nos faz pensar desde seu título: Discurso da Servidão Voluntária. Dispensam-se maiores considerações.

Em suma, enquanto a fome e a dor abunda entre nós, demagogos e irresponsáveis fanfarrões sobem nos palanques e fazem ginásticas mentais em apologia a regimes ideológicos que destruíram os países que o adotaram. Com a palavra, nossos irmãos venezuelanos, norte coreanos, cubanos etc. Estranhamente, os demagogos do nacional ou internacional socialismo consomem bilhões em estádios de futebol, festas carnavalescas, obras superfaturadas em países da “companheirada” ou em esmolas que parecem consolar, mas são utilizadas como forma de escravizar ainda mais. Eis o velho bordão do imperador romano Vespasiano, quando da construção do Coliseu: “pão e circo para o povo”. Todavia, tudo isso é passado, certo?

Errado. Os escravizadores, os controladores, enfim, os centralizadores ainda manipulam a população e, até mesmo, alguns de nossos governantes. Alguém ainda pensa que as recentes nomeações do nosso presidente sejam perfeitas? Particularmente, penso que nada se compare ao vilipêndio petista ao erário público, mas deixo claro que não concordo com várias ações do governo atual. Querem um exemplo prático? Pois bem: fundão eleitoral.

Os burocratas nos predem em giro; ofertam-nos um labirinto de espelhos para carentes; enjaulam ignorantes em gaiolas mentais ideológicas, o que nos recorda da ficção científica Matrix. De fato, a arte parece imitar a vida e vice-versa. Permitam-me utilizar do conceito psicológico da Síndrome de Estocolmo no universo político, pela qual alguns ingênuos ativistas bajulam políticos e incensam todo um sistema devorador de dinheiro. Sim, meus caros, energívoro e usurpador dos escravizados pagadores de impostos. Todos esses predadores do erário público arrasam nações e massacram nossos irmãos mais indefesos. Para os manipuladores, que aqui chamamos de “eles”, não passamos de dados estatísticos, ou pior, consideram-nos gado a ser abatido após as eleições.

Mas, afinal, quem seriam “eles”? Depois dessa reflexão, quem meu querido leitor acredita que controle os controladores? Podemos nominá-los? Seriam os políticos e seus partidos? Fundação Rockefeller? Eugenistas? Governos ocultos? Sociedades secretas? Illuminatis? Nova Ordem Mundial? Ouço de tudo nos bastidores, mas infelizmente, resta-me sempre uma indigesta dúvida: tratar-se-iam de hipóteses plausíveis ou ridículas teorias conspiratórias?

Confesso desconhecer essas ligações e tais teorias em profundidade suficiente para emitir uma opinião conclusiva, mas não duvido de nada em nosso planeta azulado. Embora confesse pouco saber, o raciocínio lógico leva-me a desconfiar fortemente que a centralização e a concentração de poder são os instrumentos escravizadores e atentatórios aos escudos familiares e aos bons costumes sociais que chamamos de cultura. Do comunismo ao nacional socialismo (nazismo), penso que ambas as vertentes e todas as suas derivações sejam faces tirânicas da mesma moeda da centralização de poder. Eis a razão de minha identificação com projetos descentralizados e antimonopolistas, tanto no ramo financeiro (Blockchain), como no campo informacional (aplicativos eletrônicos), obviamente priorizando os que respeitem nossa privacidade, pois a descrição é o maior escudo contra o despotismo.

O cenário é complexo, mas para que possamos trilhar um caminho virtuoso, libertário, fraterno e altruísta, necessitamos de especial atenção para o próximo termo: consciência! Nossa intencionalidade positiva, evidentemente, representa um ótimo início, mas a consciência ou lucidez sobre a realidade dos fatos é crucial para otimizarmos nossa evolução. Entendamos a importância da descentralização política e tributária, bem condensada pelas expressões “Mais Brasil, menos Brasília”, “Mais Mises, menos Marx” e tantas outras que representam a manutenção do poder com os cidadãos e distantes dos sanguinolentos centralizadores e vampiros com sanha arrecadatória.

A descentralização passa por uma delicada coerência que talvez incomode alguns: liberdade implica em responsabilidade. Vale dizer, somos frutos de nossas escolhas. De nada adianta terceirizarmos nossa responsabilidade personalíssima para coletivos específicos. Eis a face implacável do princípio transcendente de causa-e-efeito. Aos leitores que ficarem incomodados, porto o consolo de que isso também passará, mormente quando focarmos em nossa própria conduta, onde o neologismo “exemplarismo” parece portar um melhor uso do sufixo -ismo, tão mal-empregado por nefastas ideologias.

Sofridamente, aprendemos que os governantes distribuem “benesses” com uma das mãos, mas a verdade é que “eles” retiram com duas. Os pedágios do fisiologismo e da estrutura burocrática são pesadíssimos. Isso, sem falar na corrupção. Concentremo-nos, pois, em nosso próprio exemplo virtuoso. Teórico demais? De imediato, seguem linhas pragmáticas: se faltar trabalho, não aguarde por soluções governamentais ou políticas públicas (elas fazem parte do problema), mas sim empreenda e faça parte da solução. Trabalhemos em nossa autonomia e lideremos soluções criativas. Façamos isso não por nossos governantes, mas apesar deles.

E mais, muito mais. Devemos saber que os malfeitores trabalham através da psicologia da tirania, com argumentos melífluos para a ilusão coletiva. Aparelham instituições e degradam a cultura por inúmeras vias, a saber: 1. Espetáculos degradantes. 2. Vulgarização da sexualidade. 3. Partidarização de questões suprapartidárias (sustentabilidade, meio ambiente etc.). 4. Egocentrismo (hedonismo narcísico e culto ao líder).  5. Vazio existencial (adrenalina e superficialidade). Enfim, “eles” criam malabarismos circenses através de imaturas distrações, como cortinas de fumaça para desorientar as fraquejantes mentes em formação. As cenouras e as purpurinas são colocadas nas pontas das varas, atraindo jovens incautos e adultos que, tragicamente, negociam seu caráter por trinta moedas de prata.

Tiranos e asseclas, sob minha perspectiva, são unidos por viscosos interesses, sendo o ouroboros de uma autofagia nefasta. Ambos prestam tola adoração genuflexa ao deus-Mamon e tantos outros falsos deuses, como o deus-Estado, o deus-comunismo e o mais enfadonho de todos, o deus-materialismo. Toda essa maquiagem esconde a vilania dos que seduzem ingênuas almas para sua teia de interesses sectários.  Numa análise mais profunda, tiranos e tiranizados são infelizes e vazias criaturas, ambos de estatura moral nanica. De fato, são melancólicas vítimas de uma tola vaidade que os fazem pensar que sua ideologia ou sua argúcia na luta pelo poder são as últimas bolachas do pacote cósmico. Na realidade, são tão coitados que merecem apenas nossa compaixão.

Em apertada síntese, a guerra tirânica migrou da disputa territorial entre nações para a batalha por mentes. Penso que essa fricção na disputa por nossos cérebros transcenda o rochoso materialismo. Acredito estarmos imersos em conexões “intra e extrafísicas”, materiais e transcendentais, corpóreas e espirituais, mundanas e divinas, ou como prefiram designar os meus queridos leitores. Entendido isso, reitero a pergunta: como “eles” dominaram ou dominariam nosso inconsciente?

Pois bem… “Eles” transformam belíssimas harmonias musicais em repetições primitivas e vulgarmente sensualizadas. De Mozart para “ilariê ô-ô-ô”. De Bach para “lé com lé, cré com cré”. Da música clássica e melodias elegantemente elaboradas para “na boquinha da garrafa” e todo tipo de mediocridade. O despudor ficou “pop” e a conduta moral, antiquada. Não se enganem, meus amigos, isso tem propósito e endereço certo: nosso inconsciente. A música e o campo artístico lidam com o lado direito de nosso desenvolvimento cerebral, ou seja, nosso inconsciente criativo. Lembrem-se: a atuação no inconsciente é uma forma de driblar nossa… Lembram-se da palavra que chamei vossa atenção? Pois bem, aí vai ela novamente: …driblar nossa cons-ci-ên-ci-a!

E com isso, “eles”, os tiranos e seus títeres robotizados, ocupam sorrateiramente os espaços e as estruturas que deveriam estar voltadas ao bem. Fomos do amor pela vida aos calamitosos índices de suicídios e da perda de significado da existência. E com esse filme de horror, surgem as guerras fraticidas, a triste gourmetização do aborto, o relativismo moral, a banalização do mal e outras práticas egocentradas. De outro lado, a sedução fanatizante dos falsos messias e o fanatismo de seus asseclas em apoio às falaciosas bandeiras do populismo, no estilo “viva la revolucion”.

Golpistas implantam repetitivos gritos de guerra como se fossem anti-golpistas. Dá-lhes “não vai ter golpe”! Fanáticos de rostos avermelhados e centralizadores de poder balbuciam demagogicamente “fascistas, não passarão”. Lamento constatar que no fã clube azulado, também existam os gritos de idolatria “mito-mito-mito”, que também passaram enormemente dos limites. A campanha acabou. Está na hora de cobrarmos os compromissos assumidos, aplaudindo os acertos e criticando severamente os erros, doa a quem doer.

O problema, portanto, está no fanatismo venerador e genuflexo a seres falíveis, como nós todos. Pior ainda quando idolatram ideologias autoritárias, centralizadoras ou autocentradas. Pobres adoradores do Estado! Criticam o fascismo e, na prática, defendem mais Estado, esquecendo-se da máxima de Mussolini: “tudo no Estado, nada contra o Estado e nada fora do Estado”. Reparemos que os centralizadores de poder invertem a lógica política e acusam de fascistas, paradoxalmente, os descentralizadores conservadores ou liberais clássicos. Sobram farpas até mesmo para os libertários, que negam o próprio Estado. Reitero o chiste popular: no Brasil, o poste urina no cachorro.

Nesta pátria acolhedora, exuberante e de infinito potencial, os tiranos controlam os (des)valores morais.  Nossa brasilidade está ricamente ligada a valores cristãos e espiritualistas. Em outras palavras, nossa brasilidade está conectada a valores morais e não à baderna subversiva. Somos um povo acolhedor, amoroso, fraterno e vinculado à transcendência. Somos uma pátria de tendência pacífica, onde um ateu poderá saborear sua água de côco repleto de amigos religiosos que, por sua vez, convivem dentre as mais diversas perspectivas espiritualistas. A Bahia que o diga. Nosso respeito à individualidade e às escolhas personalíssimas nos une em nossa fraternidade e vice-versa. Eis um dos belíssimos aspectos da nossa gloriosa brasilidade.

“Eles”, os falsos líderes são, na verdade, marionetes de uma podridão sistemática ainda maior. Sejam “eles” petistas, psdbistas, psolistas, pmdbistas, pslistas, comunistas, socialistas ou de qualquer outro partido degradado que nos circunda, nossa missão está na identificação dos que tentam inverter nossos valores, nossa moralidade e nossa maravilhosa e ricamente miscigenada brasilidade. “Eles” e seus títeres partidários fomentam a desunião através de suas ideologias classistas, do tipo “nós versus eles”. Estimulam o ódio através de falácias segregacionistas, guerra de classes e outras perversões da fraternidade maior. Enquanto isso, seus partidos políticos acolhem membros corruptos. Aliás, sequer expurgam seus membros parlapatões, expressamente dissonantes dos próprios princípios estatutários. “Eles” fomentam brigas por ideologias, mas sabem perfeitamente que não existem ideólogos dentre os machos alfa da alcateia. O que existe no “covil central” dos lobos, lamentavelmente, é somente a abjeta e brutal disputa por mais poder.

Pergunte-se, querido leitor, quem promove a deterioração do meio artístico? Por que ainda existe a lei Rouanet e os veículos de centralização de poder cultural? Por onde anda seu legítimo direito de defesa contra a tirania? Quem apoia monopólios ou oligopólios? Quem é dependente de ganhos, vencimentos ou subsídios estatais? A quem interessa a alta carga tributária brasileira? A quem interessa o monopólio do dinheiro? A quem interessa a educação centralizada? Quem deseja taxar sua propriedade privada? Talvez não saibamos nominar a quem interesse tanta centralização de poder, mas estou convicto que ninguém com mais de dois neurônios responderia que tudo isso visa o interesse do povo. Infelizmente, “eles” pensam que somos descartáveis.

Todavia, eu digo que “eles” estão enganados! Nossas defesas são a preservação de nossa autoconfiança, a conservação de nossa amorosa e acolhedora brasilidade e o tremular de nossas bandeiras e valores voltados ao bem. Não tergiversemos com a corrupção, não nos percamos nas tortuosas estradas dos supérfluos e das purpurinas. Que nossos pensamentos sejam hígidos e saudáveis; que nossas atitudes respeitem o próximo e a comunidade; que possamos vivenciar o amor fraterno, a firmeza de caráter e o fundamental senso de realidade.

Derradeiramente, migro do pronome “eles” para o “nós”. Libertemo-nos da coisificação materialista, seja ele marxista, positivista, ideológica etc. Prezados amigos, de nada vale conquistarmos a matéria, se corrompermos nosso espírito, nossa consciência, nosso self ou qualquer outra nomenclatura que signifique aquilo que somos em essência. Gradativamente, saberemos quem são “eles” e aprenderemos que a alforria de nossa consciência é a única forma de mantermos nossa esperança na transição para um mundo ditoso, onde saborearemos a epopeia de nossas almas em comunhão fraterna.