A pandemia iniciada em 2019 trouxe-nos flagrantes mudanças de hábitos. Evidentes a crise econômica e a crise de valores morais evidenciadas em todas as classes sociais e econômicas, das modestas às mais abastadas.

Dispensa-se qualquer genialidade para prever a sequência lógica dos acontecimentos. Vejamos: 1. Pandemia. 2. Despotismo. 3. Desemprego. 4. Violência.

Cabe-nos, individualmente, quebrar essa triste sequência. Como?

A primeira postura deve ser a tomada de consciência de que cada um de nós é carente de reforma íntima. De nada adianta imputarmos a responsabilidade pela fraternidade em agentes externos a nós mesmos, seja ele governo, essa ou aquela elite, determinada classe social, raça “x” ou “y” ou nos militares “malvadões”. Adjetivarei essa postura de infantil, fartamente encontrada na chamada “beautiful people” canhota.

Portanto, a terceirização dos ônus e bônus de nossas escolhas existenciais e nossa condição atual pode ser taxada de covardia moral. Sim, que venham os “mimizentos” e os socialistas de Iphone.

Entretanto, o outro lado da moeda não é menos indigesto, pois os que observam a carência material do semelhante através de seus carros de luxo, sem nenhuma ação efetiva no campo da solidariedade, enfrentarão sua própria omissão humanista no território íntimo das respectivas consciências. Sim, meus caros leitores, comprei a briga do outro lado também.

Dessa reflexão, decorrerá naturalmente uma demanda para conosco. Reitera-se que tal demanda não é para o vizinho ou para o tirano da vez que ocupe algum cargo de poder, mas sim para nós próprios. Em suma, se quiser cobrar algo ou alguém pela falta de solidariedade humana, devemos iniciar por nosso espelho. Sim, a reflexão é para os fortes.

As palavras foram escritas com letras pontiagudas, mas confesso que direciono tal cobrança a mim mesmo. Afinal, estou fazendo algo pelo semelhante carente? Se a resposta agradar nosso ego mimado com distrações materialistas, segue outra provocá-lo ainda mais perturbadora: é o máximo que posso fazer?

Pois bem, uma ajuda desprovida de racionalidade e planejamento terá irrisórias chances de sucesso ou tenacidade suficiente para ultrapassar dois ou três invernos. Vale dizer, necessitamos da conexão entre coração e cérebro, simbolizando amorosidade com racionalidade para uma assistência de alta eficiência e durabilidade.

E o nosso Brasil nisso tudo? Interessante observar que nosso gigante se originou sob o nome de Terra de Santa Cruz, objetivando refletir o sentido e a propagação do Cristianismo. Nossas origens e nossas tradições eminentemente cristãs unem-nos aos valores da fraternidade e do acolhimento ordeiro, além das convicções de que a vida continua após o desenlace material e que nossas ações altruístas serão nosso tesouro transcendente que levaremos do mundo material. Nada além disso, nem nossas joias, muito menos nossos saldos bancários.

Em suma, temos obrigação de zelar por um bom equilíbrio financeiro, a fim de que não dependamos do próximo. Aos que desejam salvar o mundo, mais ainda são incapazes de arrumar o próprio quarto de dormir, um conselho: amadureçam e tentem gerar meia dúzia de empregos formais. Na outra ponta, aos que só pensam na acumulação, lembramos que a prudência financeira é sempre muito bem-vinda, mas a avareza… definitivamente não deve ser nossa convidada.

Por derradeiro, se acúmulo de reserva monetária é salutar e prudente, o apego materialista faz-nos lembrar da sabedoria popular: “a diferença entre o remédio e o veneno é a dose”.