O confinamento gourmet e sua antítese

Os governantes engomados, a juventude “Nutella”, os filósofos do ar-condicionado, os professores de gabinete, os socialistas de iPhones e todos os que auferem seus proventos do espoliado pagador de impostos, sem falar nos churrasqueiros dominicais de picanha Swift Black – sim, todos esses – precisam diferenciar o chamado confinamento-gourmet de um outro tipo de clausura repleta de sofrimentos, sacrifícios e flagelos familiares. Refiro-me ao confinamento famélico, ou seja, aquele que impõe a desnutrição e coloca em risco a própria sobrevivência dos confinados.

Para os miseráveis confinados dessa segunda categoria um grave problema bate à porta: a fome. Para esses, urge ummovimento gradual e responsável em direção ao trabalho a fim de acessarem o pão de cada dia. Esse retorno ao labor não é fundamental apenas pelo desemprego imposto pelas circunstâncias, mas também pela notória fragilização nutricional que, como dissemos, impõe um risco ainda maior para a aquisição do indesejável do vírus chinês.

Como sabem os que ainda não perderam contato com a realidade dos necessitados, o trabalho não é apenas essencial à vida, como também a única chance de levar uma nutrição mínima às respectivas famílias destes desafortunados. Aliás, uma boa nutrição, reitero, é condição essencial ao enfrentamento do próprio vírus que se tenta combater.

Consequentemente e por dedução lógica, a retomada da normalidade econômica tem o papel fundamental para salvarmos as preciosas vidas de nossa população carente, pois a soma dos fatores da desnutrição, do inverno vindouro e da pandemia, em ação conjunta, certamente elevará ainda mais dramaticamente os índices de mortalidade. Em minha modesta opinião, portanto, interpreto que nossos governantes estejam na contramão do que deveríamos praticar.

A desnutrição e a miséria oriunda do caos econômico por conta do fechamento do comércio, projetada para acentuar em pleno inverno, foi agravada por decisões tirânicas de nossos governadores e magistrados. Frisamos que os agentes políticos que insistem em impor miséria e desnutrição à população serão diretamente responsabilizados, ao menos aos olhos dos mais carente, por tais lamentáveis sofrimentos.

A premissa de um confinamento onde todos estejam bem nutridos é absolutamente falsa, ou seja, desconectada da realidade da grande massa desempregada. Tudo isso causado pelo flagrante despotismo que, tristemente, assistimos. Diz o dito popular, com requintes de crueza e realidade: “preso por ter cão, preso por não ter”.

Sim, caros senhores, a realidade brasileira é perversa, com a população sem emprego, sem renda e, obviamente, desprovida de condições para a subsistência de suas respectivas famílias. Para piorar as coisas, os escândalos de corrupção pela festa dos gastos públicos “emergenciais” já começam a aparecer nas redes sociais.  Diante da crueza dos fatos, urge o retorno consciente ao trabalho, obviamente munido de máscaras, higienização, distanciamento social e todas as medidas profiláticas para o caso específico.

Outro dia, fiquei chocado com uma frase que tomou conta das redes sociais. Dizia ela: “Enquanto houver dinheiro público sem licitação, o pico da pandemia será adiado para o dia seguinte”. Pessoalmente, não acredito que possa haver tanta maldade em nossos governantes. Todavia, vale lembrar o dito popular castelhano: “Yo o creo em brujas, pero que las hay, las hay”.

Desconfio daqueles que são contra esse retorno consciente. Talvez estejam de boa-fé, mas talvez se encaixem numa das categorias a seguir: 1. Os economicamente interessados no confinamento, sejam eles políticos corruptos, grandes empresários com interesse em destruir seus concorrentes menores e grandes nações/corporações exportadoras de produtos médicos, respiradores e tecnologias que se beneficiem do momento. 2. Os interessados em destruir economicamente o Brasil, entre eles a turba do “quanto pior, melhor”. 3. A classe média e alta que podem se dar ao luxo do confinamento-gourmet, sejam os providos de estabilidade no emprego e gostosos vencimentos garantidos pelo erário público.

A questão que não deve calar: Onde ficará o povão nesta história? A resposta é simples: sem trabalho, sem comida, sem seus direitos naturais, sem suas garantias constitucionais individuais e, para agravar a situação, estes miseráveis esfomeados estarão ainda mais vulneráveis ao Covid19, mormente pela desnutrição imposta e perpetrada através do despotismo de certos governantes.

O Povo, que tem o poder originário (ao menos em teoria), pode e deve gozar de autonomia e liberdade para retomar a rotina de trabalho e empreendimento, podendo rechaçar qualquer autoridade tirânica que use do despotismo para suprimir seus legítimos direitos de lutar por sua vida e integridade nutricional de sua família. Sim, caros leitores, a usurpação destes direitos em nome: ditadura.

Aliás, tal tirania foi devidamente profetizada às vésperas da última eleição. Esses falsos profetas acertam na previsão, mas erraram o alvo ao apontar o tirano. Curiosamente, tal ditadura não parte do Chefe do Executivo, mas das próprias instituições supostamente democráticas que deveriam zelar pelo Estado de Direito e pela própria democracia. Sim, a ditadura veste toga, terno e gravata, aufere seus vencimentos dos pagadores de impostos e goza de olhar complacente da grande mídia brasileira.

Pior que isso, a ditadura togada garantiu poderes para gestores também contaminados por instintos despóticos. Nossas autoridades despóticas passaram a algemar e prender trabalhadores e transeuntes, enquanto na outra ponta, criminosos foram soltos para evitar-se sabe lá o quê…

Já chega? Lamentavelmente, a resposta é negativa. No meio da proibição do trabalho, alguns tiranos ousam falar em aumento de tributação, justamente o imposto causa mortis, em e macabra sincronicidade com o momento atual. É sinistro, caros amigos.

Em suma, o cidadão brasileiro é colocado em risco e em flagrante desnutrição por conta da tirania dos gestores públicos que, em seguida, se beneficiam do imposto oriundo das mortes vindouras. Como li num texto que participei da revisão e ora parafraseio: temos uma carga tributária deveras abusiva, vampirizada por um Mecanismo corrompido que desperdiça sistematicamente o dinheiro público arrancado despoticamente do escravizado pagador de impostos. E assim nasce a escravidão pós-moderna.

Juridicamente, considero as reações proporcionais contra essa tirania, como legítima defesa. Estamos cientes da mortalidade do vírus chinês, bem como da gravidade do momento. Por isso mesmo devemos redobrar nossos cuidados com o distanciamento social, uso de máscaras e cuidados na higienização devida, mas jamais podemos esquecer da desnutrição de hoje, aqui e agora, da classe menos favorecida.

Portanto, de nada adianta falar “fique em casa”, se nesta casa existem pessoas famintas e uma geladeira vazia. Esclareço: sou plenamente favorável ao confinamento dos bem nutridos, mas rogo aos meus pares dotados de capacidade para fazerem um confinamento-gourmet, que se apiedem dos mais pobres e condenem as vis tiranias que impõe um confinamento da fome, da tirania e da desnutrição. Em suma, confinamento responsável sim, confinamento da morbidez, jamais. Lembro que apoiar atos ditatoriais não se trata de liberdade de opinião, mas sim de comprometedora cumplicidade com as sombras.