Qual é o Brasil político de 2026? E o que isso significa em termos espirituais?

O colunista da Revista Oeste, Adalberto Piotto, em intrigante matéria publicada em 14 de agosto de 2026, intitulada “Democracia torturada”, denunciou o que considera flagrantes abusos de um Poder Judiciário que enfrenta a desconfiança de parcela expressiva dos brasileiros.

Desta vez, a denúncia envolve ataques à liberdade de imprensa, ao sigilo da fonte e, em última análise, à própria Constituição. O intuito seria o controle despótico da mídia — insinua o colunista.

Nosso foco, porém, é outro: a espiritualidade.

A notícia, em si mesma, pouco acrescenta ao repertório de inquietações nacionais. Os desmandos e abusos de supostas autoridades constituem antigo lamento de cidadãos brasileiros, submetidos a um emaranhado de leis, privilégios e estruturas de poder que, não raramente, parecem concebidos mais para sujeitar do que para servir.

Chamo de semi-ditadura o estado intermediário em que as instituições democráticas permanecem formalmente de pé, enquanto determinadas liberdades começam a ser relativizadas em nome da própria democracia.

Mas como analisar tudo isso a partir da premissa de que ocorrências nos planos sutis precedem aquilo a que assistimos no plano material?

Inúmeras vertentes espiritualistas sustentam que vivemos um período de transição planetária, envolvendo transmigrações, reurbanizações extrafísicas ou, em termos mais simples, uma espécie de faxina espiritual.

Ao confrontarmos tais premissas com a avalanche de denúncias semelhantes à que ora examinamos, surgem algumas questões: os seres compulsoriamente transmigrados aceitariam passivamente tal condição? Não haveria resistência? À luz do que conhecemos sobre o comportamento humano e coletivo, a resposta mais plausível parece negativa.

Se avançarmos nessa linha argumentativa — sempre no terreno das hipóteses espirituais — não é difícil imaginar turbulências nos planos mais sutis da existência. Talvez conflitos intensos. Talvez, para recorrermos à linguagem simbólica das antigas tradições, uma guerra extrafísica de proporções bíblicas.

O colunista encerra a matéria que inspira estas reflexões com uma metáfora impactante: “… a tortura está de volta. São as cláusulas pétreas, os direitos e garantias individuais mais elementares e todos os brasileiros foram colocados no pau-de-arara”.

O peso dessas palavras mina meu ânimo de amante da Justiça, mas não minha esperança. Obviamente, não me refiro aqui ao Poder Judiciário dos homens — cuja atuação imperfeita e distante da própria ideia de Justiça torna-se indigna das letras maiúsculas que a instituição ostenta — mas à Justiça Transcendente.

Diante da possibilidade de resgates cármicos e da conhecida lei espiritual da causalidade, surgem outras perguntas: o que devemos aprender com tudo isso? Por que seres dotados de razoável inteligência continuam elegendo representantes que traem os princípios que dizem defender? Por que tantos cidadãos, em nome da democracia, acabam tolerando comportamentos que, se praticados pelo adversário, chamariam imediatamente de tirania?

Talvez o umbral espírita, a baratrosfera conscienciológica ou o inferno católico estejam vazios.

Talvez os agentes das sombras estejam entre nós.

Ou talvez seja mais confortável imaginá-los fora do que reconhecê-los dentro de nós.

Talvez exista, então, uma hipótese ainda mais incômoda: a de que a verdadeira reurbanização devesse começar de outra maneira — em nossa própria consciência, em nossas crenças limitantes, em nossos fanatismos, em nossa disposição de enxergar no outro todo o mal que relutamos em reconhecer em nós mesmos.

A semi-ditadura revestida de amor talvez seja uma das formas mais perigosas de tirania, justamente porque não se apresenta como tal. Não provoca medo suficiente, dor suficiente ou indignação suficiente para despertar uma reação efetiva da população. A hipnose coletiva segue seu curso, enquanto os que ainda percebem as contradições amargam crescente sensação de impotência.

O que fazer diante disso?

A resposta pertence a cada consciência.

De minha parte, luto contra o desânimo e procuro transformá-lo em ação. Empreendo. Gero empregos. Estudo. Escrevo livros e artigos. Tento preservar a lucidez e manter de pé uma espiritualidade que, confesso, às vezes também cambaleia.

Meus livros são bilhetes em garrafas lançadas ao oceano, na esperança de que alguém, em algum lugar, os encontre e deles retire algo luminoso.

Bilhetes que a semi-ditadura ainda permite.

Bilhetes que compartilham meu lamento, mas também minha esperança.

Bilhetes de quem ainda acredita que a liberdade merece ser defendida.